Minha noite com Lemmy Kilmister

5 10 2011

Fui a Los Angeles, pois tinha uma ideia fixa na cabeça. Mas não sabia muito bem como executá-la. Precisava achar parcerias. Em meio a cabeludos, rock ‘n roll, chiliques e catatonia, consegui. 

Meu objetivo: ver Lemmy Kilmister, líder supremo do rock suja-sangue do Mötorhead, sentado no bar.

Pistas: Los Angeles, Bar Rainbow, caça-níquel, whisky com coca-cola, Sunset Boulevard e só.

Quando decidi fazer meu mochilão pelos EUA, em junho de 2011, uma das paradas obrigatórias do meu roteiro era Los Angeles, CA. Não pelos estúdios. Não para passear pela famosa Rodeo Drive. Meu foco era chegar ao bar Rainbow. As únicas informações que eu tinha sobre o estabelecimento era de que ele ficava na Sunset Boulevard, no West Hollywood. E que lá, Lemmy jogava caça-níquel e bebia whisky com coca-cola, quando não estava em tour. Ricas informações, que apareceram no documentário Lemmy.

Parti de San Francisco em um ônibus. Seis horas de viagem até LA. Ao meu lado, um senhor esquisito. A pele do rosto dele era tão fina, que apareciam as veiazinhas. Ele me oferecia balas de cinco em cinco minutos. Com uma voz grave, ele dizia: “candy?” Com um sorriso americanizado, eu negava: “no, thanks.” De tanto ele insistir, uma hora eu falei a ele que eu era diabética. Mas o bondoso homem, com toda a cordialidade do planeta, me ofereceu uma barra de cereais SALGADOS!!! Bom, ele me venceu.

Saí de San Francisco sem lugar para ficar em LA. Não reservei hostel. Só tinha um contato por lá, mas ainda não ligara para ele. Eu ainda não sei o motivo de eu não ter reservado nada. Mas foi bom. Porque eu não teria conhecido John, que estava sentado na poltrona de trás. Foi por causa do senhor maluco do meu lado que eu o conheci. Depois do papo da barra de cereal salgada, tive que dar trela pra ele. Descobri que era um velho fazendeiro do Texas… Logo, aproveitei para perguntar: “o senhor conhece algum lugar barato para se hospedar em West Hollywood?” Ele me olhou com aquelas bolotas verde-cego e suas veiazinhas e disse: “olha, eu não, mas certamente os meninos e meninas aqui atrás sabem. Eles estão em grupo, pelo que percebi. Vamos ver!” Ele se levantou da poltrona, chamou todo mundo, me apresentou como sendo sua amiga e os sorrisos se abriram no ônibus.

E o senhorzinho conseguiu. Me juntei ao grupo. Eram John, da Austrália, Nikita, da Inglaterra, e mais quatro meninas da Holanda. Mas, no final, o pior. Desembarcamos do ônibus e nem me despedi do tiozinho. Me senti mal. Não lembro de ter agradecido. Só sei que eu e meu novo grupo fomos para o hostel na Hollywood Boulevard, em frente ao Kodak Theatre (local em que acontece o Oscar). A calçada cheia de estrelas e estrelas no chão. Gente e mais gente. Los Angeles, Bêibe!!

First Night

John era o mais esperto. Tinha 22 anos, roqueiro, e dirigia caminhões na Austrália. Mesmo com aquele sotaque, por vezes difícil de entender, era o mais parceiro. Apaixonado pela Nikita. Mas a menina não dava bola para ele. As outras meninas? Um bando de patricinhas. Mas muito legais para fazer compras. :) Sacavam tudo de botas (???). Bom, com o histórico de John, consegui fisgá-lo quando disse: “hey, tenho uma boa pedida para esta noite. Lemmy Kilmister”.

Deixamos as meninas em uma balada qualquer e fomos nós dois, de ônibus, para o RAINBOW. Eu estava absolutamente catatônica. Pois não dei garantia para John que o encontraríamos. Eu contava com a sorte.

Do ônibus, avistamos o bar. Desembarcamos. Ao lado dele, o famoso Roxy bombava. Do outro lado da rua, o bar do Johnny Depp. Decidimos ir a este último, só para conferir. Entramos. Lá, pegamos uma cerveja e John fez amizade com uma menina loira. Fiquei dando uma volta, ainda nervosa. Quando voltei, mais dois meninos se juntaram aos dois. No final das contas, era um grupo de alemães DO CARALHO!!! Anna, Max e Sebastian.

Perguntei a eles se curtiam rock ‘n roll. Todos, na hora, me responderam: “YEAAAAAHH”. Entendi e dei a notícia de que, provavelmente, Lemmy estaria no bar da frente. O chilique veio em massa. Saímos correndo e atravessamos a rua em direção ao Rainbow.

Na porta do bar, apresentamos os ID’s e, enfim, estávamos dentro. Comecei a observar. Porta da direita? Nada de Lemmy. Área externa? Mesas… gente… muita gente… ah, espera aí, tem um bando de cabeludos lá no fundo… to reconhecendo um baterista…

“Oh, my God!, oh, my God!, oh, my God! Oh, my FUCKING GOD! LEMMY IS HERE”, disse Sebastian. E todos nós vimos. Lá estava ele. JOGANDO e BEBENDO. Foi chilique em massa.

Bom, pegamos uma mesa a uns três metros dele, tentamos parar de rir, pedimos umas cervejas, fumamos uns 18 cigarros. E pronto. Ficamos como retardados admirando Lemmy Kilmister: Jogar e Beber. Jogar e Beber. Das 21h às 1h30. Cheio de cabeludos-roqueiros em volta.

Foi uma noite divertida. John caiu de bêbado, mas fez amizade com o baterista do Mötorhead. Anna até tirou uma foto com o Lemmy. Sebastian, Max e eu ficamos trocando ideias sobre rock alemão… Como os bares fecham cedo na Califórnia (1h30), fomos para a casa de Max, uns dois quarteirões dali. Uma mansão em que ele estava hospedado. Os vizinhos da casa: Christina Aguilera e Whoopi Goldberg. Ficamos conversando até as seis da manhã. Combinando o dia em que nos encontraríamos de novo. Possivelmente em um show do Mötorhead ou qualquer um de rock. Mas que fosse de rock. Insistimos nisso, no reencontro.

A noite foi muito divertida!!!!

Anna, John, eu, Max e Sebastian, no Rainbow.


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Uma resposta

7 01 2012
Rafael

Po, muito irado ! Por sinal acabei de ver o documentário do Lemmy, por sinal foda !

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